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Aparentente, aquele era para ser um dia como outro qualquer. Embora o receptividade do dia tenha sido com água e mais água que as nuvens tratavam de descarregar, a realização da Primeira Jornada Ancestral promovida pela Associação Clara Nunes não abalou-se por este fenômeno e registrou um grande marco para história da Organização, recebendo, de braços abertos, um público fiel e interessado na busca pelo Poder das Ervas que, por longos anos, foi salvação para muitos enfermos e para aqueles que queriam inteirar-se com os efeitos medicinais que a natureza poderia nos proporcionar.
Esse uso das ervas é a grande preocupação das Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e, foi o grande resgate no 12º dia do mês de agosto do ano de 2008. Uma terça-feira que despertava ao som de trovoadas e muita, mas muita chuva. Um inicio de dia em que esperávamos a aurora, mais parecia sinais do crepúsculo.
Quando parecia que tudo iria derramar-se junto da água que, ferozmente, caía do céu, tivemos uma linda luz solar que logo tratou de fazer com que os pássaros cantassem e que gotas d'água escorressem pelos verdes que seriam homenageados naquele dia pleno.
Assim foi o começo daquele dia no qual tivemos a presença de pessoas ilustres que foram agraciadas com a frase 'Kosi Ewé Kosi Orisà' [Sem Folha Não Há Orixá].
As pautas foram iniciadas por Baba Xandéko de Xangô [Alexandre Gabriel - Presidente da Associação Clara Nunes]; Yá Dê do Ogum [Yalossãe - Guardiã das Plantas do Terreiro]; Yá Claudete de Sapatá [Jornalista]; Rubem da Silva [Representante Usuário do SUS da Ceppir/Grupo Hospitalar Conceição]; Clauber Fonseca da Silva [Educador Popular]; Jacqueline Jacques [Grupo Maricá - NUFO]; Jorge Augusto Lemos Araújo [Coord. Educação do Projeto Olà Sì Bò - Abre-se a Riqueza]; Ana do Carmo Honorato [ Coord. Representante da Gestão - Ceppir/GHC].
MOMENTOS MARCANTES:
Impossível não destacar momentos mais que especiais que abrilhantaram mais ainda aquelas horas de trocas de conhecimentos e sabedorias ancestrais. Vamos à eles:
Aparentemente, aquele era para ser um dia como outro qualquer. Mas não foi. A chuva que antes amedrontava, teve seu real significado: durante dias de trabalho, de noites sem pregarem os olhos e de total responsabilidade, o trabalho Grupal e Árduo da Associação Clara Nunes foi lavado e abençoado por aquelas águas que, inicialmente trouxeram medo, mas que nos fez entender que o mal todo havia ido pelos boeiros e que Ossaim, Orixá das Folhas sagradas, conhece o segredo de todas elas, e estava ali, para verossimilhar todo o trabalho feito, por TODOS.
Axé!!!
E até a próxima Jornada Ancestral!
Luis Thiago Nascimento
(P.S.: As fotos e videos estão sendo preparados. Aguardem.).






Chico Rei é um personagem lendário da tradição oral de Minas Gerais, Brasil. Segundo esta tradição, Chico era o rei de uma tribo no Congo, trazido como escravo para o Brasil. Conseguiu comprar sua alforria e de outros conterrâneos com seu trabalho e tornou-se "rei" em Ouro Preto.
Nascido no Congo, chamava-se originalmente Galanga. Era monarca guerreiro e sumo sacerdote do deus Zambi-Apungo e foi capturado com toda a corte por comerciantes portugueses traficantes de escravos. Foi levado para o Brasil no navio negreiro "Madalena", mas, entre os membros da família, somente ele e seu filho sobreviveram à viagem. A rainha Djalô e a filha, a princesa Itulo, foram jogadas no Oceano pelos marujos do navio negreiro "Madalena" para aplacar a ira dos deuses da tempestade, que quase o afundou.
Foi vendido no Rio de Janeiro e levado para Vila Rica como escravo, juntamente com seu filho. Trabalhando como escravo conseguiu comprar sua liberdade e a de seu filho. Adquiriu a mina da Encardideira. Aos poucos, foi comprando a alforria de seus compatriotas. Os escravos libertos consideravam-no "rei".
Este grupo associou-se em uma irmandade em honra de Santa Ifigênia, que teria sido a primeira irmandade de negros livres de Vila Rica. Ergueram a Igreja de Nossa Senhora do Rosário.
Chico Rei virou monarca em Ouro Preto, antiga Vila Rica em Minas Gerais no século XVIII, com a anuência do governador-geral Gomes Freire de Andrada, o conde de Bobadela.
No dia 6 de janeiro e no dia de Nossa Senhora do Rosário, ocorriam as solenidades da irmandade, denominadas Reisados. Durante estas solenidades, Chico, coroado como rei, aparece com a rainha e a corte, em ricas indumentárias, seguido por músicos e dançarinos, ao som de caxambus, pandeiros, marimbas e canzás. Este cortejo antecede a missa.
Esta seria a origem do congado.
A história de Chico Rei não possui registros históricos fidedignos. Ela aparece em uma nota de rodapé escrita por Diogo de Vasconcelos, em seu livro "História Antiga de Minas", de 1904.
[Fonte: Wikipédia]